12/15/2007

A festa vai acabar!

Certa vez, escutei de Andrés Sanches, quando diretor de futebol no Corinthians, que o clube criava o jogador, dava alojamento, instrução, médico, fazia o treinamento, mas que não podia fazer qualquer tipo de contrato pois a lei determina que o garoto precisa ter 16 anos ou mais para tanto. Quando um jogador da base chegava aos 16 anos, aparecia empresário, tio, pai, irmão, procurador, o "diabo-a-quatro" forçando o clube a aceitar um acordo por participação nos direitos federativos, ou seja, ficava com 10, 20, 40, 60% do jogador e o restante refém dos empresários.
 
Apenas para citar alguns casos. Nilmar não ficou por causa do seu empresário Orlando Hora. William não ficou por causa de seu empresário Wagner Ribeiro. Carlitos não ficou por causa de seu empresário Kia Joorabchian. A Lei Pelé transformou os clubes em reféns de empresários.
 
Infelizmente a maioria dos torcedores nem liga pra isso, "que se dane" o empresário, pois só conseguem enxergar o atleta e o clube, nada mais. Quem é que quer saber se o clube tem condições de pagar x, y ou z para o ídolo? O que o torcedor tem se um jogador ganha 3 ou 4 X mais do que o resto do elenco? Pois bem, acabam caindo na lábia ferina dos empresários, que divulgam na imprensa suas chateações, por conta do Natal magro que provavelmente vão passar.
 
Ainda bem que a FIFA acordou e em breve a comissão de assuntos legais proibirá a venda de direitos econômicos/federativos de jogadores para empresários.
 
Prevejo um 2008 cheio de batalhas judiciais entre empresários e clubes, mas uma coisa é certa, se esta medida já estivesse em vigor, nomes como Marcelo Goldfarb e Bruno Paiva não seriam destaque da mídia por tanto tempo e a torcida não precisaria se preocupar com o "fica-não-fica" do goleiro Felipe, que, como já disse anteriormente, só sai do Corinthians, se o Corinthians assim quiser.
 
Empresários, a festa vai acabar!
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