1/29/2009

Torcedor Colaborador: Solução?

O que o Benfica, o Barcelona, o Manchester United, o Bayern de Munique, o Porto, o Sporting, o Real Madrid e o River Plate tem em comum, além de serem grandes times mundiais?

A constatação desta resposta poderá te surpreender, pois todos estes clubes tem mais sócios do que a capacidade de seus estádios!

E que tal o Corinthians mandando seus jogos em casa, apenas e tão somente para os torcedores que figuram no projeto Fiel Torcidor? Seria o fim do torcedor comum e das organizadas? É um assunto polêmico e bom para debate.

O Internacional aparentemnte parece ter saído na frente e com relativo sucesso para a realidade do clube. Criou um projeto como alternativa para seus problemas financeiros, logo após sua quase queda para a segundona em 2002, transformou o sofrimento de seus torcedores em futuros sócios contribuintes, bastando pagar o valor de R$ 20,00 para obter uma carteirinha e uma mensalidade de mesmo valor, o torcedor recebe uma revista mensal, descontos nas lojas oficiais e preferencia na compra de ingressos para qualquer local do estádio Beira-Rio, sujeito a disponibilidade, claro.

O projeto do time do Internacional é ambicioso, conta em atingir em Abril de 2009, quando comemora seu centenário, a marca de 100 mil sócios! Difícil? Parece que não, pois o clube já ultrapassou a marca de 70 mil sócios, ou seja, se contarmos com a adimplencia da maioria de seus torcedores, o Internacional arrecadaria mais de R$ 1 milhão por mês, podendo esnobar um resultado anual próximo dos R$ 17 milhões, valor equivalente aos melhores contratos de patrocínio de clubes brasileiros.

Obviamente falamos apenas da arrecadação, deixamos de lado outros fatores como o desconto no ingresso, a logística, a confecção das carteirinhas, as taxas embutidas na manutenção do sistema, etc. Além do fato do estádio Beira-rio ter capacidade para 50 mil pessoas. Como "gerenciar" essa sobrecarga de sócios? E nos jogos mais importantes, como seria a fila "elitizada" de sócios contribuintes, quem teria a preferência? Será que o "ticket médio" não teria um valor ampliado? Será que seria reduzido pelo esvaziamento nos outros jogos? Será que o torcedor não se revoltaria por causa do próprio bolso? Como falei, para a realidade do Internacional, o projeto parece ter relativo sucesso.

O formato de sócio contribuinte do Internacional pode causar problemas no futuro, similares ao ocorrido com o Barcelona, que recentemente teve que mudar o sistema Seient Lliure (Assento Livre) de seu programa sócio-torcedor. O Barcelona tem reembolsado imediatamente em 50% o valor do ingresso para aqueles que tiverem direito ao ingresso especial (pago antecipadamente) e ceder o lugar até 72 horas de antecedencia ao jogo. A medida foi tomada tentando aumentar a média de público do Barça, que baixou de 80 mil para 65 mil por partida em média.

Cada clube brasileiro tem adotado medidas para arrecadar aproveitando-se da paixão de sua torcida, porém o que serve para um clube, pode ser um entrave em outro. Neste ponto, os clubes tem sido cautelosos ao lançar projetos para a contribuição da torcida, afinal a afobação inical pode se tornar uma dor de cabeça futura. É necessário ter no estatuto do clube, previsão para o uso de ferramentas como o sócio contribuinte ou sócio torcedor, para não existir dúvidas sobre quem tem direito a voto, apenas citando um dos exemplos jurídicos.

No São Paulo, o anúncio que o projeto sócio torcedor tem mais de 30 mil sócios adimplentes e mais de 40 mil cadastrados pode ter um incentivo ainda maior, pois recentemente o clube encerrou o acordo com a BWA, assim poderá pessoalmente gerir, gerenciar e comercializar os ingressos, usando sistema similar ao do show do Elton John, em que o clube usou catracas locadas e ingressos anti-cópia.

E falando na BWA, a empresa através de sua franquia Ingresso Fácil! deve firmar um convênio com a Caixa Econômica Federal e venderá ingressos de jogos e eventos nas mais de 11 mil agências lotéricas de todo o Brasil, firmando acordo também com a Federação Argentina e também com a Lotomática, da Itália, onde informatizará todos os estádios e cadastrar mais de 50 milhões de torcedores. A BWA também anuncia que em breve terá seu projeto de sócio torcedor, onde com um único cartão recarregável, o torcedor poderá assistir a qualquer um dos jogos cobertos pela empresa, com facilidades na compra antecipada.

Pensando nas alternativas, temos também os setores VIPs, como o setor Visa do Palestra Itália, que vendeu pacotes da temporada toda por R$ 5 mil e que o "sucesso" promovido não permitiu repetição, mas o setor continua sendo a grande menina dos olhos do Palmeiras, pois ampliou a arrecadação, afinal o setor pagando mais caro, amplia o resultado financeiro a cada partida. Quem investe nisso tem um retorno satisfatório, entra por um espaço melhor, existe um atendimento organizado, paga-se com cartão de crédito e na hora, possui lounge com telões e banheiros limpos.

Na onda dos setores VIP, o São Paulo vendeu camarotes, acabou com a geral e transformou-a em um centro de vendas corporativas, garantindo mais de R$ 1 milhão de receita mensal, além de aumentar o marketing de time organizado. Tentou vender grama, fazer batismo, colocar bichos de pelúcia com uniformes do Sâo Paulo, lojas especializadas e planta para colher num futuro próximo, apostando no aumento da torcida e do poder aquisitivo da mesma.

E o Corinthians? Afinal se o Internacional que no Timemania possui um share de 3% com a 8ª maior torcida do Brasil e o Corinthians tem 12% com a 2ª (me apeguei a Timemania pois é uma forma de qualificar a lista entre os torcedores que "gastam" nas apostas e não por pesquisas regionais), podemos imaginar uma verdadeira onda alvinegra no projeto Fiel Torcidor, correto?

Segundo a Agência Corinthians, que divulgou ontem (28) que passou de 1 mil clientes do projeto Fiel Torcedor na categoria "Meu Ingresso", contabiliza mais de 6.500 sócios-torcedores, com 6.104 adimplentes. Válido para os jogos em casa, o sócio tem direito a descontos de 15% à 40%, além de brindes, descontos na compra de produtos do clube e alguns mimos. A divulgação ainda é no boca-a-boca, mas apesar dos problemas de logística para a venda antecipada, todos os que fazem parte do projeto apoiam a iniciativa. A idéia do clube é ter em 2009, 50% da venda antecipada dos ingressos e boa parte deles via Fiel Torcedor.

O Corinthians lançou também a Área Vip Corinthians, que oferece ao torcedor serviços exclusivos e diferenciados como o translado até o estádio, um kit alimentação, local marcado, recepção com orientadores de público e seguranças, bem como outros mimos e brindes.

O resultado do projeto Fiel Torcedor está longe da capacidade real da torcida, a captação do novo projeto "Meu Ingresso", gerou em poucos dias o valor de R$ 80 mil, sendo que mensalmente a estimativa de arrecadação é por volta de R$ 180 mil de faturamento. Se temos 24 milhões de fanáticos, se apenas 0,5% da torcida contribuisse com o projeto "Minha Vida", independentemente da compra de ingressos ou não, pagando o valor mensal de R$ 15, já seriam R$ 1,8 milhões mensais, mais de R$ 21 milhões anuais!!! E veja, estou falando de 0,5% de toda a torcida do Corinthians no Brasil!

Obviamente que é necessário maior divulgação do projeto, é necessário criar categorias alternativas de arrecadação, para aqueles que desejem contribuir, sem comprar o ingresso em si, quem sabe criar mecanismos de arrecadação, transformar essa paixão em um rendimento satisfatório, pois eu contribuiria mais se soubesse que meu clube teria um time bom em campo, vitorioso, valente e guerreiro, com meus ídolos ficando mais tempo e não saindo por qualquer valor da vitrine européia. Neste ponto que faço minhas críticas ao marketing, como o Corinthians conduz seu projeto de sócio torcedor, pois o potencial não está sendo explorado, podemos oferecer mais, melhor e acima de qualquer outro clube, já provamos isso, falta apenas iniciativa e divulgação.

Que tal debatermos mais sobre este assunto? Prometo me aprofundar mais, trazendo informações sobre as coisas que dão certo no mundo e que podem dar mais certo ainda no Timão!
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