7/24/2012

Salve o Corinthians!

Não é desmerecendo a Libertadores, mas encontrei mais um texto que compactua com minha idéia de importância e relevância de conquistar este torneio para o torcedor do Corinthians.

 

Salve o Corinthians, por Marcelo Mayer.

Existem três gerações de torcedores do Corinthians: a que viu o clube nascer, a que esperou o clube vencer e a geração que viu o clube vencer. Três gerações que juntas fizeram o Sport Club Corinthians Paulista ser uma batalha de nervos e inúmeras teses sociais das mais pertinentes às mais malucas. Porém, há surgindo em todo canto uma nova geração de fiéis torcedores: os sem história.

Não os culpo. Culpo o jornalismo esportivo, as redes sociais e o próprio clube. Criaram um circo em cima da taça da Libertadores maior que o próprio time, maior que a própria fantasia de uma camisa que se orgulha de pertencer ao folclore futebolístico. A TV vende a Libertadores do Corinthians como a mais importante. O Clube vende a Libertadores do Corinthians como a mais difícil. Desculpem, mas o gol de Basílio e o carrinho de Tupãnzinho têm níveis de dificuldade maiores que toda a Libertadores conquistada. Desmerecer a Taça Libertadores da América? Jamais! Mesmo porque eu estava no Pacaembu em todos os jogos desta campanha, inclusive no dia 4 de julho de 2012, e posso garantir que foi uma das maiores emoções de minha vida. Mas meu amor pelo Corinthians cultivado desde o tempo em que entendi o que era futebol não deixou que meu amor se tornasse uma prostituição. E das mais baratas.

A Libertadores não é mais importante que a quebra do Tabu em 1968, o Paulista de 1977, a Democracia Corinthiana, o Brasileiro de 1990, a embaixadinha de Edílson em 1999. E tal meu rebaixamento ao torneio continental não é desculpa e nem proteção por qualquer frustração futura. Não é mais importante porque a Libertadores não mede um grande time e não ilustra uma grande torcida. Essa nova geração vê o Corinthians pela televisão, no pay-per-view ou tomando um chopp na Augusta. Essa nova geração nasceu com títulos e vai crescer com um estádio. Essa geração jamais vai saber que nosso escudo fez parte da Semana da Arte Moderna de 1922 ou da Invasão Corinthiana em 1976. Hoje, a fila no Memorial é para ver a taça da Libertadores enquanto o Ezequiel é esquecido numa foto no chão. Quem precisa de 3 horas para tirar uma foto com a Taça, nunca precisou de 3 horas para comprar um ingresso. Sou feliz pela Libertadores inédita, mas muito mais feliz por ser corinthiano e o que representa socialmente fazer parte disso.

Vá sim ao memorial prestigiar a Taça Libertadores. É sim uma das mais importantes de nossa história, mas vá também conhecer e sentir como chegamos a esse título inédito. Não quero que meu filho um dia me questione “por que o Corinthians é sofredor? Não entendo. Vocês têm tudo!”. Eu serei obrigado a colocá-lo de castigo por tal sacrilégio e desordem emocional. Por um lado, não sou sofredor, mas um apaixonado. Mais importante do que comemorar uma vitória, é saber entendê-la. E viva o futebol, enquanto ele vive.

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