9/02/2010

Pra não comemorar

Subestimada, a torcida do Corinthians lotou o Vale do Anhangabaú para o Reveillon Alvinegro. A previsão de 50 mil participantes foi para o espaço, assim mais de 110 mil estiveram presentes e aproximadamente 15 mil nos entornos, quase 3 vezes o esperado.

A estrutura montada teve de ser refeita às pressas e ‘do jeito que dava’, áreas de fuga e reservadas pela impresa foram invadidas de maneira pacífica e coordenadas pela PM, que também reforçou seu efetivo, mas não evitou o que é inevitável quando uma multidão deste porte se reúne: confusões e incidentes.

Foram 2 dias de comemorações e eventos marcando o centenário do clube, apesar da linda demonstração de entrega e amor ao Corinthians, parte da torcida também mostrou seu lado irracional e vandalizou.

Na manhã de terça, o CT do SPFC amanheceu pichado com mensagens de provocação e xingamentos mesclados com o logo do centenário.

Durante o show da virada, Metrô, ônibus e veículos de imprensa foram depredados. Vinte e quatro composições do Metrô foram alvo de vandalismo durante a noite de terça e a madrugada de quarta, durante a operação diferenciada em função do Reveillon Alvinegro no Vale do Anhangabaú. A SPTrans informou que 15 ônibus foram danificados com vidros quebrados. Cinco carros de quatro redes de TV diferentes foram depredados. Entre os veículos, o da Rede Globo teve comprometida a transmissão ao vivo que fazia no local. Duas câmeras foram roubadas.

Uma torcedora morreu atropelada. Amanda Ferraz Geremias de 21 anos, foi atropelada pelo ônibus do Corinthians, por volta da 1h20, quando saía da festa da centenário no cruzamento da Rua Líbero Badaró com o Viaduto do Chá. O veículo teve dificuldades para sair por conta do tumulto e no meio da confusão a jovem caiu sob o pneu traseiro. Socorrida na Santa Casa, não resistiu. O presidente Andrés Sanchez afirmou que tomará todas as providências possíveis para prestar assistência para a família de Amanda.

No final evento Abraço Fiel, um carro da CET parou e foi ‘invadido’ por torcedores. O motorista reclamou e o veículo começou a ser depredado, antes da intervenção do policiamento, o funcionário da CET ainda levou um soco.

Outros incidentes pontuais ocorreram nos entornos, mas apenas a morte da torcedora por atropelamento teve Boletim de Ocorrência. Nenhum veículo de imprensa, nem a SPTrans prestaram queixa. O Metrô ainda apura as imagens de seu circuito interno para identificar os vândalos.

Um resultado triste, que não é uma exclusividade do torcedor corintiano. É algo social, que aconteceria com qualquer outro time, não importa seu tamanho, seria proporcional. Imputar esta responsabilidade para quem quer que seja como forma de chacotar ou deprecisar a nação alvinegra é esconder o problema para debaixo do tapete. Não é defesa, é constatação. Infelizmente.

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