11/16/2009

Estádio: Itaquera ou Pacaembú?

O relato que farei a seguir é algo que vem me corroendo desde agosto desde ano, onde acreditei que o Corinthians daria um grande passo e anunciaria em seu aniversário de 99 anos, o lançamento da pedra fundamental da construção de seu estádio em Itaquera.

Acredito que ao publicar este assunto, que na verdade não é uma novidade (parte já foi publicado no JT), posso explicar um pouco da minha frustração com o Timão neste segundo semestre e que vai além do desempenho no Brasileirão.

No dia da coletiva de apresentação do Site Institucional Internacional do Corinthians, numa conversa com o Conselheiro Edgard Ortiz, o mesmo me confidenciou – OFF - que aquele projeto inicial do estádio em Itaquera estaria “bem encaminhado”, que continuava batalhando para sua concretização, buscando investidores e conversando com pessoas do governo.

Depois do fracasso do estádio na Vila Maria e da insistencia de Rosenberg pelo Pacaembu, vi nessa proposta uma alternativa concreta de usar o terreno de Itaquera – cedido pela Prefeitura para construção do estádio – justamente para a sua finalidade.

No aniversário do clube, a mídia esperava o anúncio, mas Andrés Sanchez foi enfático e disse: “O Corinthians vai ter seu estádio, só não sei quando. Quanto menos se falar é melhor, é menos frustrante. Já fomos muito enganados e não queremos precipitar nada. Tem mais de 15 projetos e estamos analisando tudo que chega até nós”.

Acredito que esses “15 projetos” que Sanchez falou, são os fracassos apresentados ao longo desses 99 anos que o Corinthians completou, por isso até entendo a cautela e o sigilo do assunto.

Para o jornal espanhol Marca, Sanchez ainda disse que quer apresentar a casa corinthiana durante os festejos do centenário. Seria este o plano B da Libertadores?

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A PROPOSTA

Uma arena próxima 500 metros do metrô Itaquera, com vasto espaço de estacionamento para 5 mil vagas, orçado num valor de R$ 350 milhões, com 60 mil lugares e pronto em 2012, dentro dos padrões Fifa.

Inicialmente os investidores pegariam parte desse investimento no BNDES ou parceria com alguma instituição bancária, sendo o restante da verba por venda de camarotes e cadeiras cativas. O grupo banca a construção, o Corinthians faz a cessão do terreno e por 10 anos, neste período, as receitas com 400 camarotes e 20 mil cativas seriam fatiadas numa maior parte para o parceiro.

Uma das propostas, elaborada pelo Grupo Advento, um conglomerado de quatro empresas do ramo de construção cívil, infraestrutura e engenharia: A Serpal (Engenharia), a Vox (Instalação e Estrutura), a Vecotec (Sistemas de climatização) e a Temar (Tecnologia em manutenção), cujo o presidente é Juan Quirós, ex-chefe da Agência de Promoção de Esportações e Investimentos (APEX) do Governo Lula entre 2003 e 2007, que elaborou a estrutura comercial para a construção do estádio.

“É um estádio arena, dentro dos padrões Fifa. Por fora, teremos uma grande faixa preta e branca em homenagem à torcida. Será o alçapão do Corinthians, porque a arquibancada ficará bem próxima do campo”, disse o arquiteto Eduardo de Castro Mello.

O problema é que para iniciar a construção, seria necessário uma antecipação de R$ 150 milhões, só possível via BDNES ou por um forte parceiro, que poderia até entrar com o ‘name rights’. Até um suposto encontro de Juan Quirós com o então magnata russo Bóris Berezovsky foi divulgado, afirmando que ele poderia ser um dos investidores.

Recentemente tive a informação que a Tesler Engenharia faria o gerenciamento e que um grande banco estaria disposto a antecipar os R$ 150 milhões, ou seja, não necessitaria do BNDES, que já tinha informado que só financiaria obras para a Copa de 2014, porém não consegui contato com o Marcelo Tesler para confirmar a informação.

Algumas semanas antes do anivesário de 99 anos do clube, um grupo de engravatados adentrou ao Parque São Jorge munido de uma maquete, desta vez era uma visão do estádio feito pelo arquiteto Eduardo de Castro Mello, filho de Ícaro de Castro Mello, que projetou para Vicente Matheus, em 1980, um estádio para 200 mil pessoas. Recentemente o estádo de Cuiabá o contratou para desenvolver o projeto do estádio que será sede da Copa de 2014.

 

O VETO DE ROSENBERG

O Vice Presidente de marketing, Luiz Paulo Rosenberg é categoricamente contra a construção do estádio em Itaquera e privilegia o arrendamento do Pacaembú.

Em sua visão, o Corinthians deixaria de receber uma bela fatia do bolo de arrecadação por 10 anos num novo estádio, sendo que com o Pacaembú, por 60 anos, as receitas seriam todas do Corinthians, fora a localização do estádio, estratégicamente servido de 3 linhas de metrô distintas (contando com a nova linha que passará pela consolação), várias linhas de ônibus e rotas de saída. Itaquera só tem 1 metrô e necessitaria da duplicação da Radial Leste e integração com o Rodoanel, mas ainda assim fora da área centrald a cidade.

“Por que precisamos de um parceiro se o estádio será construído basicamente com o dinheiro da venda de cativas e camarotes?”, pergunta Rosenberg para insistir no Pacaembú.

Rosenberg conta também com outro fator, que daqui 60 anos será necessário reformar o Pacaembú em sua totalidade: “Por que um estádio depois de 60 (anos), a melhor que se tem a fazer é derrubar ele e fazer um novo, como o São Paulo vai descobrir já já”, afirmou em entrevista ao Jornalismo FC.

A luta pela concessão é forte, tanto que Roseberg quer acabar com os banheiros químicos, construir camarotes, cobrir parte do estádio, tudo para dar conforto para quem pode pagar mais, para manter um preço acessível para o restante da torcida.

 

A ESPERA PELA DECISÃO

Quem tem razão nesse assunto? Os que são a favor de Itaquera dizendo que não vale a pena investir R$ 100 milhões para arrendar um estádio que voltará para a Prefeitura em 30 anos? Aqueles que são a favor de um Pacaembú por conta das receitas e possibilidades?

Particularmente sou a favor da construção de um novo estádio, tendo em vista que a cessão do Pacaembú – pelo que vi até o momento – não seria algo tão bom assim ao Corinthians. Porém, se realmente o Rosenberg conseguir uma concessão de 60 anos, fazendo o que prometeu (camarotes, cobertura, banheiros, etc), é algo para se pensar. E como diz aquele ditado popular: “Melhor um pássaro na mão do que dois voando”, no caso o perigo é de ficar sem estádio em Itaquera e sem estádio do Pacaembú e ainda ter que jogar no Morumbi. Será que justifiquei meu humor nos últimos meses?

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