8/18/2009

Uma seleção de patrocínios

A Seleção Brasileira é um verdadeiro case de sucesso em marketing, todos os contratos firmados pela CBF tem o nome e negociação direta de Ricardo Teixeira, no poder desde 1989 e seue até 2015 em seu 6° mandato. Se permanecer até o final, serão 25 anos como presidente da entidade.

Enquanto os clubes brasileiros passam o pires para arrecadar patrocinios, a Seleção caminha à passos largos em polpudas propostas financeiras, algumas delas se quer tem a mesma visibilidade dos clubes, nacionalmente falando, que justifiquem tais valores, porém estão aí para a análise de quem busca o melhor para os vossos times.

Abaixo listei os patrocínios, valores e perfis, sendo que alguns contratos seguem com clausulas de confidencialidade, impedindo a divulgação de valores, mas são justificados pelas proporções e campanhas.

Nike (contrato até 2018) - US$ 12 milhões
Em 2006, a Nike firmou novo contrato com a CBF, em que além dos valores anuais, paga cota de US$ 6 milhões para o elenco em caso de conquista da Copa do Mundo. É a única que pode ter a marca estampada na camisa, por ser a fornecedora de material esportivo.

Ambev (contrato até 2019) - US$ 10 milhões
Entrou após a rescisão com a Coca-Cola, anunciando o produto Guaraná Antarctica, porém a CBF já acena e negocia um reajuste de valores, elevando para US$ 15 milhões já para 2010.

Itaú (contrato até 2014) - US$ 15 milhões
Anunciado no final do ano passado, o banco já havia contrato para ser patrocinador da Copa de 2014 no Brasil como candidato, para isso pagou R$ 4,5 milhões. O contrato inclui seleções principais, olímpicas, campeonatos Sub-23, 20, 17 e 15, além das seleções femininas, com o direito de estampar a marca nos uniformes de treino.,

Vivo (contrato até 2015) – US$ 15 milhões
Após uma disputa judicial, cujo acordo anterior previa valores na casa de US$ 4 milhões, a Vivo renovou pelos valores pretendidos pela CBF.

TAM (contrato até 2011) – Não Divugado
A empresa é a linha aérea oficial da CBF, permitindo que a deleação viaje pelo Brasil e exterior com todo o conforto oferecido pela TAM, que pode usar o logotipo da CBF e criar camapanhas e ações promocionais de relacionamento. Acredita-se que o acordo chegue à US$ 10 milhões.

Hugo Boss (contrato até 2014) - US$ 500 mil
O acordo firmado com a grife Hugo Boss fornece trajes sociais para a seleção pentacampeã mundial até 2014, ano da Copa no Brasil. 50% do valor é exclusivo em fornecimento de vestuário para os jogadores e comissão técnica.

Gillette (contrato até 2010) - Não Divulgado
Marca da Procter&Gamble que também patrocina o jogador Kaká. O contrato abrange seleções principais, olímpicas, campeonatos Sub-23, 20, 17 e 15, além das seleções femininas. Acredita-se que o acordo chega à casa de US$ 10 milhões.

Pão de Açucar (contrato até 2010) - Não Divulgado
A empresa utilizará os direitos de imagem dos jogadores, bem como estampar o título de Patrocinador Oficial e ações publicitárias para a marca Extra, TAEQ e Qualitá. Acredita-se que o acordo chega à casa de U$15 milhões.

Brazil World Tour (contrato até 2010) - US$ 30 milhões
Desde 2005, a seleção desfila amistosos pelo mundo sob administração da empresa de marketing e direitos esportivos Kentaro. Cada jogo representa em média US$ 2 milhões. A empresa é a mesma que organizou a preparação para a Copa de 2006, que inclusive comercializou ingressos para os treinos da seleção.

Notem que os valores estão sempre em dólares, o que praticamente dobra quando convertidos para a moeda nacional. A camisa da seleção não tem patrocínio – nem pode – mas as marcas são exploradas em campanhas, levando o título de Patrocinadora Oficial, bem como se utilizam do escudo da CBF, podem usar a imagem de alguns jogadores, aparecem em placas nas coletivas, treinamentos, estampam uniformes de treino, estão presentes em toda a “campanha” da Seleção em jogos oficiais e amistosos.

Alguns clubes como o Flamengo, Corinthians e Internacional, cujo o apelo popular é proporcional ao da Seleção Brasileira – pois são os clubes de maior torcida e/ou maior número de sócios - não conseguem chegar nem próximo aos valores da seleção canarinho.

No caso do Corinthians, o manto se tornou abadá, loteando cada espaço em branco e preto do uniforme, tudo para manter certa saúde financeira, elenco competitivo e ter o Ronaldo no Timão.

Será que o Itaú (ou outro banco) não teriam a preferência em patrocinar um Corinthians ou Flamengo? E o Bradesco? Será que a Coca-Cola não assume de vez um Palmeiras? E a Gol não pode bancar um São Paulo ou Santos? A Oi não entraria numa de estampar mangas de Inter e Grêmio? E olha que não estou falando de valores absurdos, aposto que uma propostinha de R$ 5 milhões pras mangas, agradariam qualquer clube.

Resta-nos aguardar o que esperar para o Centenário do Corinthians, se um desses “grandes” vão topar patrocinar o Timão em ano de Copa do Mundo por valores selecionáveis. Quem sabe botar o Ricardo Teixeira para intermediar essas negociações – estou brincando, obviamente.

Fato é que o dinheiro move o mundo, inclusive o do futebol. Que venham os patrocinadores…

2 comentários:

Nicolau disse...

Marcelo, discordo de você. Não vejo como ter comparação. São níveis totalmente diferentes de exposição, a seleção tem muito mais prestígio internacionalmente que qualquer time.

Marcelo Lima disse...

Nicolau,

O mesmo estudo que mostrou a visibilidade do Corinthians no mercado, fez o mesmo com a Seleção Brasileira. Fato é que são compatíveis sim, a Seleção encara amistosos numa frequencia 10X menor que o Corinthians, por isso se a seleção consegue muito mais do que US$ 52 milhões, pq. os clubes não conseguem se quer 15% disso?