11/05/2011

Um sonho possível

Edgard OrtizEdgard Alcides Ortiz nasceu na Rua Oscar Freire, 136, na Capital, em 16 de novembro de 1940. É sócio patrimonial do Corinthians desde 1954 (comprou o título com 14 anos usando seus primeiros salários de officeboy).
Jornalista, advogado e radialista revelado pelas Rádios Tupi e Difusora de São Paulo, atuou em quase todas as Rádios de Ribeirão Preto, tendo sido colega do seu grande amigo e companheiro, José Luiz Datena.
Como conselheiro do Corinthians, lutou por décadas para erguer o estádio do clube.
Por muitas vezes desacreditado, hoje mostra que é possível tornar um sonho realidade, com determinação e muita luta.
Em 21 de Maio de 2009, por convite do conselheiro Edgard Ortiz, eu e a Yule Bisetto (do Blog do Torcedor do Globoesporte.com) estivemos presentes na coletiva que anunciou o lançamento do site institucional bilíngüe do Corinthians.
Nessa oportunidade, em conversa informal, depois de conversamos em outras oportunidades por telefone e e-mail, ouvi dele as seguintes palavras:
“O Corinthians terá seu Estádio em Itaquera, Oxalá para a abertura da Copa do Mundo de 2014!”
Detalhe: na época discutia-se sobre mais uma maquete para a construção de um estádio, naquela oportunidade em terreno na Vila Maria e o Estádio do Morumbi era oficialmente a sede paulista para a Copa. Estádio em Itaquera não era nem uma possibilidade remota, abrir a Copa então, um delírio!
Em 20 de Outubro de 2011, dia anúncio oficial de que a Arena Corinthians foi confirmada como a sede paulista da Copa e que fará a abertura da Copa de 2014, entrevistei Edgard Ortiz, o homem que transformou um sonho em realidade.
Marcelo Lima (Vertebrais) - Desde o anúncio da construção do estádio até a oficialização como abertura da Copa de 2014, onde estava Edgard Ortiz para aparecer nas fotos?
Edgard - Falei com o Datena sobre este assunto no programa de rádio dele, eles me convidaram, mas não gosto de ficar aparecendo. Meu objetivo era que o Corinthians tivesse um estádio, fui o relator e trabalhei no projeto por cinco anos, agora é a construção, festa deixa pros políticos, pros caras que tem interesse nisso. Meu interesse se resumiu sempre que o Corinthians tivesse um estádio, agora vai ter. Estou contente, missão cumprida.
Marcelo Lima (Vertebrais) - O Datena falou na rádio que você deveria estar lá ao lado do Andrés e dos políticos.
Edgard - Ele é meu amigo, o que ele fala no programa e tem uma repercussão tremenda, por ser um programa de rádio.
Marcelo Lima (Vertebrais) – E o Andrés não falou nada?
Edgard – Ele me puxou a orelha também. Falei pra ele que não ia. Eu vou fazer o que lá? É um oba-oba, já vai ter o Kassab, o Alckmin, são pessoas públicas, tem que aparecer. Meus amigos falando de mim, já estou feliz da vida.
Marcelo Lima (Vertebrais) - Não acha que as pessoas deveriam saber que você batalhou e começou isso tudo?
Edgard - Quem é idealista não está atrás de festa, de aplauso, nada disso. O importante é atingir objetivos.
Marcelo Lima (Vertebrais) - Como foram os primeiros passos?
Edgard - O primeiro projeto que o Lula viu, foi o que eu apresentei pra ele quando fui à Brasília. O Orlando Silva ajudou bastante e o Andrés que sempre deu o maior apoio, maior força, mas quando o Lula entrou na parada, eu fui relator do projeto no conselho e nós tínhamos três hipóteses: O projeto do Edgar Soares (Bancos Banif-Bradesco, Hochtief) em Guarulhos, outro do Juan Quirós (Grupo Advento) e do Eng. Marcelo Tessler (da Tessler Engenharia) para Itaquera um pouco diferente deste que tínhamos com a Odebrecht que vinha com o apoio do Lula, não diretamente, mas um apoio paralelo, pois como Presidente da República, não poderia se envolver.
Marcelo Lima (Vertebrais) - De que forma o projeto saiu do papel?
Edgard - A construtora topou fazer o estádio que seria pago com o Naming Rights. Este estádio vai custar para o Corinthians apenas e tão somente R$ 400 milhões que será financiado pelo BNDES.
Marcelo Lima (Vertebrais) - Mas o estádio custará mais do que isso...
Edgard - Nada está definido, mas temos a expectativa de vender o nome do estádio para uma empresa durante 10 anos que servirá perfeitamente para o pagamento do empréstimo. Fora isso, planejamos com o Andrés e o Rosenberg um título de capitalização, que seria feito inicialmente com um grande Banco parceiro, com o objetivo de arrecadar R$ 3 bilhões, onde o Corinthians receberia R$ 300.000 milhões de participação, ou seja, R$ 100 a cada plano de R$ 1.000. Estima-se que um banco com 3 mil agências, cada uma venda pelo menos mil títulos. O torcedor não dará dinheiro para o estádio, mas será como uma poupança, que concorrerá a prêmios e no final resgata o valor investido com juros e correção, ajudando o Corinthians. O outro projeto são os tijolinhos, tal qual existe na Disney (Epcot Center), que teria o nome ou foto da pessoa ou da família, um ou mais painéis que perpetuaria tal qual um memorial, onde é possível arrecadar mais R$ 300 milhões. Se o Corinthians fizer tudo direitinho, vende o nome do estádio, paga a dívida e ainda fica com grana em caixa.
Nota do blog:
Vale lembrar que além dessas iniciativas, a Arena do Corinthians terá:
1. Isenção fiscal que uma obra para a Copa proporciona por exigência da FIFA;
2. A Prefeitura de São Paulo fará o incentivo de até R$ 420 milhões e emitirá CIDs (Certificados de Incentivo de Desenvolvimento) de R$ 50 mil cada, onde o clube e a Odebrecht poderão negociar tais papeis que isentam 60% do ISS e 50% do IPTU;
3. O Governo do estado injetará R$ 70 milhões para a construção da arquibancada modulada que ampliará a capacidade do estádio;
4. O BNDES financiará R$ 400 milhões;
5. O Corinthians pretende vender o Naming Rights por R$ 400 milhões ou mais por um período de 10 anos.
Marcelo Lima (Vertebrais) - O que você tem a dizer sobre quem fez piada com o estádio do Corinthians ou para jornalistas que afirmavam que a abertura seria em Pirituba?
Edgard - Quando eu falava de estádio e abrir a Copa aqui, já tem uns dois anos, o pessoal me gozava. Poucos me levaram a sério como você. Mas a satisfação de ter algumas pessoas que acreditaram e hoje reconhecem, não existe melhor recompensa do que isso. Inclusive o pessoal da torcida dos Gaviões da Fiel me ligaram todos eufóricos, me parabenizando e até sugerindo que eu disputasse a presidência do conselho.
Marcelo Lima (Vertebrais) - E não é uma boa idéia?
Edgard - Olha, eu não sei se continuarei nem como conselheiro, pois não vivo do Corinthians e não tenho tempo. Posso me doar parcialmente, mas precisamos trabalhar para viver. E no Corinthians não recebemos absolutamente nada, nós vamos para nos doar. Conheço muita gente com competência e tempo para isso. Mas me orgulha muito a lembrança, pois são os torcedores pedindo, são pessoas que respiram o ar do clube e tem amor ao clube, não tem interesses em jogo, nem políticos e nem coisa nenhuma. Isso é pra mim uma satisfação, uma alegria que não tem dinheiro algum no mundo que pague.
Marcelo Lima (Vertebrais) – Quais suas considerações finais?
Edgard - O que importa agora é que a gente pode comemorar, demorou em termos nossa casa, mas agora teremos um palácio que o mundo todo vai ver. Afinal de contas a abertura da Copa é o melhor evento, pois será representada por 32 países, teremos seus chefes de estado, será transmitido para o mundo todo. A abertura é o orgasmo da competição. Todos saberão que em São Paulo existe um clube popular que é o Corinthians que tem a maior torcida do Brasil e que conseguiu fazer um estádio com nível de abrir a Copa do Mundo no Brasil! Está de bom tamanho pra nós, não?
Marcelo Lima e Edgard Ortiz na Fazendinha do Parque São Jorge
Marcelo Lima (Vertebrais) – Valeu Edgard, obrigado por acreditar em seu sonho que hoje é uma realidade e um verdadeiro presente para toda a Fiel Torcida!
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